O advogado tradicionalista tem que assumir que seu caminho é mais difícil

Muitos amigos advogados que tenho, da época de faculdade, e alguns que conheci com o tempo, são conservadores e tradicionalistas.

O que significa ser conservador e tradicionalista?

Significa muita coisa! rs

Mas, no que me importa aqui nesse conteúdo, ser tradicional e conservador na advocacia significa: 

Eu me prendo a um modelo de advocacia do passado.

Posso até tentar resumir, correndo o risco de estereotipar um pouco (só um pouco mesmo) o comportamento dos advogados.

São advogados que estão presos a fórmulas do passado, como:

  • preste um bom serviço que os clientes vão te indicar;
  • o marketing do advogado é seu conhecimento técnico;
  • se quiser algo bem feito, faça você mesmo” (ou seja, não delega nada, quer fazer tudo sozinho).

Ainda acreditam num modelo de advocacia que até funciona, mas não para todos.

E essa crença é até compreensível, pois essas fórmulas ainda dão resultado para advogados que são vistos como bem sucedidos.

Tem um advogado sócio de uma grande banca aqui em Goiânia que costuma dar excelentes palestras para os advogados em início de carreira.

Ele é bem motivador em suas palavras, e costuma dar boas dicas.

Mas, um dia ouvi ele dando uma dica, em resposta a um jovem advogado, que me fez gritar por dentro.

Putz!, pensei, essa dica não pode ser levada a sério por jovens advogados.

Ele falou da modinha das redes sociais, no que até concordei.

Há muitos advogados copiando o comportamento dos digital influencers, como se isso trouxesse cliente para o escritório ou agregasse algum valor à advocacia.

Até acho que, em alguns casos, isso ocorre.

Tem advogado com perfil de digital influencer que consegue atrair clientes por conta da reputação criada.

advogado-digital-influencer

Mas tem muito advogado usando a estratégia de forma equivocada mesmo.

É uma modinha que precisa ser repensada.

Mas, a opinião do colega me assustou mesmo foi pela conclusão a que ele chegou: 

  • parem com essa história de tentar fazer marketing – advogado sério não precisa disso.

Esse é o problema do tradicionalismo exagerado.

Cultuar tradições na advocacia é saudável e não é um problema em si.

O problema é quando determinadas tradições começa a afetar a vida profissional das novas gerações de advogados.

Dizer para um jovem advogado, que está começando a advocacia do zero, e que não tem orçamento para manter o escritório até que os clientes de indicação comecem a aparecer, é meio que crueldade.

tradicionalismo-exagerado

Com o mercado saturado que temos hoje – com anos de abertura irresponsável de novos cursos de Direito país a fora – e a possibilidade do marketing digital aberta aos novos (ainda que com restrições do Código), a estratégia da indicação virou suicídio.

Quantos alunos que procuraram o Advocacia in Foco para consultorias, mentorias e cursos não fizeram isso porque o escritório estava quebrando?

Porque começaram tudo da forma como aprenderam na Faculdade e no estágio, e nada deu certo?

escritório-quebrado

  • Comece prestando um bom serviço. Seu cliente vai ficar satisfeito e vai indicar você para um parente ou amigo. Com o tempo, as indicações vão crescendo, e você consegue construir uma boa carteira de clientes”.

Até aí, tudo bem com o raciocínio!

O problema é que esse é um processo lento, que pode se arrastar por anos a fio.

Os mais otimistas falam em 5 anos.

Já ouvi gente boa aumentando o prazo para 10 anos.

Quem consegue esperar 10 anos para ter um escritório lucrativo?

escritório-lucrativo

Só quem tem dois empregos (como a mãe do Chris), é sustentado por um terceiro ou é servidor público que advoga (também).

No modelo de advocacia liberal, é impossível.

Daí a importância do marketing no geral, e do marketing digital em específico.

Sei que a OAB Federal está querendo regulamentar (e provavelmente restringir ainda mais) a publicidade profissional dos advogados.

Ocorre que, um dos poucos caminhos que sobraram para os advogados autônomos e para os pequenos escritórios foi a Internet.

Porque a Internet disponibiliza canais em que você pode criar relacionamento com clientes potenciais, sem precisar captar essas pessoas para qualquer serviço.

Você está apenas conversando, falando sobre Direito com as pessoas.

conversar-com-o-cliente

Está – como diz uma famosa consultora de marketing para advogados – assumindo a função social de educar a população.

Sim, porque marketing digital, no seu formato de conteúdo, não tem a ver com captação, mas com educação.

Educar a população é o fim em si mesmo do marketing de conteúdo.

Por outro lado, não temos que ser ingênuos e acreditar que um advogado vai educar, sem ter nada em troca.

Só que a moeda de troca do marketing educativo é a autoridade.

Você consegue construir, de forma mais rápida , sua autoridade, para um público amplo.

Um processo bem mais efetivo para seu escritório do que a estratégia tradicionalista da indicação.

Aqui eu justifico o meu título: o caminho do tradicionalista só funciona para quem já se consolidou na advocacia nos últimos 10 ou 15 anos. 

Para quem está na labuta a menos tempo, não pode esperar que os clientes caiam do céu. 

Você precisa fazer alguma coisa, urgente.

modelo-de-advocacia-liberal

Advocacia passiva não cola mais.

O legal é que para escrever um artigo e postá-lo, ou gravar um vídeo e criar um canal no Youtube, você não precisa de muito.

E também não precisa esperar tanto tempo.

Sobre Sérgio Merola

Sérgio Merola é Advogado especializado em Direito Administrativo e Público
para carreiras públicas (estudantes, concurseiros e servidores públicos).

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